Paraibano passa três dias preso após ser confundido com condenado de mesmo nome: 'Piores dias da minha vida'

José Wellington foi confundido com homônimo e foi preso na cidade de Itabaina, no interior da Paraíba1 Divulgação Um paraibano ficou três dias na prisão ...

Paraibano passa três dias preso após ser confundido com condenado de mesmo nome: 'Piores dias da minha vida'
Paraibano passa três dias preso após ser confundido com condenado de mesmo nome: 'Piores dias da minha vida' (Foto: Reprodução)

José Wellington foi confundido com homônimo e foi preso na cidade de Itabaina, no interior da Paraíba1 Divulgação Um paraibano ficou três dias na prisão após ser confundido com um homem de mesmo nome, condenado por roubo qualificado pela Justiça do Rio Grande do Norte a mais de três anos de prisão. O caso aconteceu na cidade de Itabaiana, no Agreste da Paraíba. José Wellington Alves de Almeida é funcionário do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) em Itabaiana. Ele acabou sendo alvo de um mandado de prisão, que na verdade era direcionado para outro José Wellington Alves de Almeida. Ele foi preso enquanto estava de plantão no trabalho e não tinha passagens pela polícia. De acordo com documentos que o g1 teve acesso, o mandado de prisão expedido pela 14ª Vara Criminal da Comarca de Natal, e inserido no banco do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), em 20 de janeiro, usou o CPF do José Wellington paraibano. A partir dos dados do CPF, as autoridades policiais chegaram ao endereço para prender o homem. ✅ Clique aqui para seguir o canal do g1 PB no WhatsApp À esquerda, José Wellington, o condenado pela Justiça do RN, e à direita José Wellington, inocente, que foi preso no lugar dele Reprodução A prisão propriamente dita aconteceu em 7 de fevereiro. Ao g1, José Wellington disse como foi abordado pela Polícia Militar, que cumpriu o mandado de prisão com o nome e os dados dele. Ele explicou que os policiais militares o prenderam e, depois, transferiram ele para a custódia da Polícia Civil. "Na noite do sábado para o domingo eu estava trabalhando quando uma viatura da Polícia Militar chegou no meu trabalho entre 23h e 00h. O policial desceu da viatura e perguntou 'como estava o plantão', eu falei que 'estava bem', que 'as viaturas estavam em evento na cidade', e perguntaram meu nome em seguida. Aí eu falei, e ele disse que estava com mandado de prisão pra mim", relatou. Naquele momento, ele conta que foi levado pela Polícia Civil da região de Itabaiana. Chegando na delegacia, os policiais consultaram os documentos dele e que "tudo estava batendo" com o mandado de prisão. Ele qualifica a experiência como "os piores dias da vida". "Foram os piores dias da minha vida, onde a pessoa dorme e acorda e o tempo não passa. Olha para o lado, olha para o outro e não tem o que fazer, é três passos para frente e três passos para trás. Só isso", ressaltou. Posteriormente, ele foi levado para a Central de Polícia Civil, em João Pessoa, onde passou pela audiência de custódia e ficou três dias presos. O José Wellington que foi condenado pelo crime, segue foragido da Justiça. No dia 8 de fevereiro, aconteceu a audiência de custódia sobre o caso, realizada pela Justiça da Paraíba, que manteve a prisão preventiva dele mesmo após informe dos advogados sobre a troca de identidade com o condenado. O juiz Salvador de Oliveira Vasconcelos alegou "ausência de elementos mínimos comprobatórios para fundamentar a alegação" de que o preso não seria a pessoa que foi condenada. A tentativa de corrigir o erro Paraibano fica preso por três dias após Justiça confundir identidade dele com condenado Após a recusa na audiência de custódia, os advogados de José Wellington realizaram uma petição junto à Justiça do Rio Grande do Norte para tentar reverter a prisão, na segunda-feira (9). Nesse período de tempo, após ficar os dias preso em João Pessoa, o homem foi transferido para o presídio de Itabaiana, e ao chegar na cidade já estava sendo encaminhado para cumprir a pena do homônimo. Na petição, entre os documentos inseridos pelos advogados estiveram a certidão de nascimento, fotos dos dois homônimos, de diversos ângulos, CPF, RG e o nome da mãe. Além disso, um vídeo da audiência de custódia do homem condenado por roubo qualificado, ainda em 2023, foi anexado, onde ele fala um nome diferente da mãe, assim como endereços diferentes, se colocando como pessoa em situação de rua, enquanto o outro José Wellington tem residência fixa. Os advogados apresentaram, no escritório do juiz da 14ª Vara Criminal de Natal, a petição para soltura. Ainda na segunda-feira um alvará de soltura de José Wellington foi expedido e ele saiu da cadeia. "Foi um erro muito grave, que eu ia pagar por uma coisa que eu nunca cometi na vida. Agora é só gratidão a Deus por ter me tirado dessa e alívio no coração, porque ninguém merece passar pelo que eu passei não. Infelizmente foi dois dias que nenhum cidadão de bem merece estar naquilo não. Consegui sair de cabeça erguida e provar minha inocência", disse José Wellington. Ministério Público do Rio Grande do Norte reconheceu erro Ministério Público do Rio Grande do Norte reconheceu erro Igor Jácome/G1 Em outro documento que o g1 teve acesso, um parecer do Ministério Público do Rio Grande do Norte (MPRN), o órgão admite que houve erro e que José Wellington foi preso no lugar do homônimo condenado. O Ministério Público do Rio Grande do Norte (MPRN) reconheceu as divergências entre os dados dos dois homens e solicitou a correção das informações no sistema para evitar novas prisões indevidas. O órgão também pediu a atualização do atestado de pena e mais cautela na emissão de novos mandados, sem a inclusão de dados do inocente. O parecer do órgão foi assinado pelo promotor Antônio Carlos Lorenzetti de Mello, titular da 77ª Promotoria de Justiça de Natal. Já na audiência de custódia realizada na Paraíba, quem atuou foi o Ministério Público da Paraíba (MPPB), e não o MPRN. O que dizem os órgãos envolvidos Fachada do Tribunal de Justiça do Rio Grande do Norte Sérgio Henrique Santos/Inter TV Cabugi O g1 entrou em contato com o Tribunal de Justiça do Rio Grande do Norte (TJRN), que informou que "o erro quanto ao cadastro do número de CPF do réu ocorreu, possivelmente, ainda durante a denúncia-crime e não na unidade judicial". O TJRN também disse que a 14ª Vara Criminal da Comarca de Natal "não realizou qualquer alteração cadastral de qualificação do denunciado" e que "o mandado de prisão foi expedido com os dados trazidos aos autos colhidos na fase pré-processual, ou seja, antes do caso ingressar no sistema de dados do Judiciário". Também foi procurado o MPRN, que não respondeu até a última atualização desta reportagem. A reportagem também procurou o Tribunal de Justiça da Paraíba (TJPB) para saber sobre a audiência de custódia realizada em João Pessoa pela Justiça local, mas não obteve uma resposta sobre o caso. A Polícia Militar, que cumpriu o mandado de prisão, informou, por meio de nota do Comando do 8º Batalhão de Polícia Militar (8º BPM), que compreende a área de Itabaiana, que a atuação da corporação "se deu, exclusivamente, sob o amparo do estrito cumprimento do dever legal" e que a "ação foi motivada pela consulta realizada no exato momento da abordagem ao Banco Nacional de Mandados de Prisão (BNMP), onde a ordem judicial em desfavor do referido indivíduo estava" e que havia "mandado ativo e vigente no sistema oficial". No caso da Polícia Civil da Paraíba, que custodiou o homem tanto em Itabaiana quanto em João Pessoa, a corporação disse que "não prendeu ilegalmente o homem" e que "o mandado de prisão tinha todos os dados, inclusive o CPF" e que os dados estavam "todos batendo", e ainda ressaltou que houve "um trabalho muito cuidadoso e correto" por parte da autoridade policial que recebeu o caso. Vídeos mais assistidos do g1 Paraíba